Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

DECO diz que é preciso adotar estilo de vida compatível com menor rendimentoBuy 2

Os portugueses têm que reajustar o orçamento familiar face à queda do rendimento disponível, de forma a evitarem entrar em situações de sobre-endividamento, defendeu Fernanda Santos, responsável da DECO, na véspera do Dia Mundial da Poupança.

«Alertamos as famílias a fazerem o reajustamento do orçamento familiar, já que o rendimento disponível está a cair, o desemprego a aumentar, e o perigo de caírem em situações de incumprimento é cada vez maior», salientou à agência Lusa a coordenadora do departamento de formação e novas iniciativas da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores.

«As pessoas têm que se consciencializar que precisam de adotar um estilo de vida compatível com o nível de rendimentos que auferem. Todos os dias, chegam-nos muitas famílias em situações de sobre-endividamento, que já não conseguem dar resposta aos seus compromissos financeiros, a quem aconselhamos que falem com as instituições para fazerem uma renegociação dos créditos», sublinhou.

Os consumidores «não podem deixar de honrar os seus compromissos», pelo que têm que procurar chegar a um entendimento com as instituições financeiras a quem pediram crédito.

«É preferível adotar um estilo de vida compatível com as suas possibilidades do que recorrerem ao crédito. É preciso ter muito cuidado com o crédito, pelo que defendemos o seu uso responsável», acrescentou, frisando que «as famílias portuguesas já estão mais despertas para esta matéria».

Fernanda Santos alertou para a necessidade de as famílias pouparem cerca de 10% do seu rendimento para fazerem face a situações imprevistas, explicando que, face à queda do rendimento e ao aumento do custo de vida, é necessário cortar nas despesas.

As dicas da DECO

«Aconselhamos as famílias a poupar e a fazer uma boa gestão das finanças pessoais. Seja nas compras ou na gestão da casa, há sempre alguma coisa a fazer», afirmou.

E deixou algumas dicas: «Nas compras do dia-a-dia, o consumidor deve fazer uma lista de compras dos bens que necessita antes de sair de casa. Deve ir com tempo livre para fazer as compras, de forma a conseguir comparar os preços. Atenção que os preços mais baixos não estão na direção dos olhos».

De acordo com esta responsável, «os produtos mais baratos não são de má qualidade» e é possível «poupar 800 euros se se optar por marcas próprias».

Aproveitar as promoções e os produtos de época e da região são outros dos conselhos que Fernanda Santos deixa aos consumidores. «Quando se tem uma alimentação saudável, não é necessário pagar mais por alimentos enriquecidos», alertou.

A especialista lembrou que quem levar as refeições para o trabalho, tomando o pequeno-almoço em casa, poderá poupar sensivelmente 100 euros por mês. «É preciso que as pessoas se habituem a cozinhar mais em casa, até porque a subida do IVA torna mais caras as refeições fora», realçou, acrescentando que também é recomendado «um melhor aproveitamento das sobras alimentares».

Em casa, a poupança de energia, água e gás, a par das telecomunicações, podem render muitos euros no final do mês, lembrou.

Já deixar de fumar (um maço por dia) pode equivaler a uma poupança de 120 euros por mês.

Utilizar mais os transportes públicos e andar a pé, em vez de depender em demasia do veículo próprio, também permite poupar, ainda mais numa altura em que os preços dos combustíveis estão muito elevados, sem esquecer os custos com as portagens e o estacionamento.

«Os pequenos gestos trazem uma poupança significativa», concluiu.

Note-se que o OE2013 nada diz sobre o Programa Nacional de Poupança (PNP), que tinha sido prometido por Passos Coelho. A taxa de poupança até deverá recuperar, mas há quarenta anos era o dobro.

Fonte: Agência Financeira