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A par de um acesso ao crédito cada vez mais difícil, vai crescendo uma nova forma de financiamento que não implica taxas, juros, ou especulação.
Chama-se crowdfunding e é o conceito utilizado para definir um “financiamento colaborativo” em que os investidores são pessoas comuns que apostam num negócio pelo seu projecto e ajudam a realizá-lo investindo um mínimo de 5 euros.
O fenómeno é recente em Portugal mas já são três as plataformas online que disponibilizam este “acesso” simplificado ao crédito e à concretização de sonhos.
A primeira a ser criada foi a Redebiz.net a 16 de Junho de 2011, a 7 de Julho surgiu a Massivemov e a 17 de Agosto nasceu a PPL.
A receita, no entanto, repete-se em todas as plataformas: É necessário um projecto inovador, um orçamento do montante necessário e um tempo limite para ter o projecto activo.
Conheça o Crowdfunding em Portugal:
Redebiz.net “Se eu for a um banco pedir dinheiro emprestado, caso consiga o dinheiro, quem mo empresta não me vai ajudar a divulgar a ideia”, afirma Miguel Costa. Para o co-fundador da Redebiz.net o crowdfunding tem a grande vantagem de utilizar a Internet, não só para ajudar a financiar um negócio mas também para o promover. Redebiz.net significa rede+negócios, e é esse o objectivo dos administradores do site: proporcionar a criação de negócios através do mundo virtual. Miguel Costa explica que todos os projectos podem ser bons projectos, “há muitas pequenas coisas que se podem fazer e que são capazes de criar diferenças para um negócio, um design diferente, prazos de entrega mais curtos, customização, uma funcionalidade extra e por aí fora”, informa. Miguel Costa afirma que a maior dificuldade está em “passar da teoria à prática” porque os criadores têm “algumas dificuldades em sistematizar as suas ideias”. No entanto o balanço é positivo e actualmente contam-se 30 projectos que se dividem entre os activos e os prontos a divulgar. O sucesso está na facilidade com que tudo se processa: “é um meio flexível e barato de obter financiamentos”. A redebiz.net lucra “entre 3 e 5% das receitas angariadas” e disponibiliza outros “serviços complementares” ao cliente.
Massivemov “Queremos ser um movimento massivo”, afirma Gabriela Marques uma das administradoras da plataforma. Gabriela e João Marques já eram empresários quando conheceram o crowdfunding: “Assim que conhecemos o conceito percebemos que fazia todo o sentido trazê-lo para Portugal porque nós temos pessoas muito criativas neste país e nós também somos criativos.” A divulgação começou antes da plataforma ficar activa e para Gabriela “foi essencial fazer a divulgação inicial porque o conceito ainda é desconhecido para muita gente.” Desde a criação da plataforma já se contam três casos de sucesso e muitos investidores interessados em apoiar causas inovadoras e diferentes: “ os investidores também são empreendedores”. Conta Gabriela que “temos um investidor que tem um interesse especial sobre agricultura biológica e projectos sénior que nos pediu para o avisarmos sempre que haja um projecto assim”. Gabriela e João acompanham os projectos e aconselham os criadores em todos os passos que envolvem a angariação dos fundos, mas o lucro que obtêm é apenas a felicidade de poder ajudar: “Somos empresários mas este projecto fazemo-lo por responsabilidade social. Faz sentido ser um serviço gratuito para os empreendedores ficarem com o máximo dinheiro possível para o negócio”, adianta Gabriela Marques.
PPL.com.pt “Gostamos muito da ideia de sermos PPL.com.pt porque significa que somos Pessoas com Portugal”. afirma Paulo Pereira, um dos quatro fundadores da plataforma de crowdfunding. Paulo Pereira explica que a PPL pretende gerar “sentido de comunidade”, e que a grande aposta dos quatro fundadores é criar ligações entre as pessoas que criam e as que investem nos projectos. “O mais importante é existir uma transparência absoluta em todo o processo”, afirma. Para Paulo Pereira deve dar-se a conhecer o processo de Crowdfunding e deve-se fazê-lo de forma “rápida e eficaz” porque “o factor confiança é muito importante” e determina o sucesso de uma aplicação. A PPL está a crescer como empresa desde meados do mês de Junho, mas só está activa há sete semanas. Para Paulo Pereira a plataforma “está a evoluir muito positivamente”. Entre criadores e promotores, “já temos cerca de 600 pessoas inscritas na plataforma e actualmente temos dez projectos activos”. No entanto confessa que “o maior desafio está na angariação de investidores” porque as pessoas ainda não estão muito sensibilizadas para esta forma de fianciamento, “mas ao nível das propostas temos neste momento cerca de 30 projectos para avaliar.”
Para os administradores da empresa, mais do que apresentar projectos e tentar arranjar investidores para os tornar possíveis, a PPL é uma plataforma “de estudo”: “Nós gostamos de avaliar a equipa, a viabilidade do projecto, a adequação do projecto ao financiamento pretendido e a oportunidade do projecto para o país“.
Fonte: Dinheiro Vivo
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