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Regresso ao trabalho depois das férias é difícil e vem normalmente acompanhado de muita reflexão. Mas falta de aumentos salariais afinal não é principal razão para desistir. Há outras que pesam mais
Ao contrário do que se possa pensar, os trabalhadores portugueses não deixam os empregos só por causa do aumento (neste caso falta dele) dos salários. Muitos deles podem mudar de emprego depois das férias de Verão, mas por outras razões: falta de progressão na carreira, mesmo quando mostram um bom desempenho; falta de «visão» das suas empresas para inovar; e também pela falta de comunicação por parte da administração.
São estas as conclusões de um estudo da Regus que mostra que 48,3% dos profissionais podem deixar os seus empregos na rentrée do ano por esses motivos, sendo que no que toca à comunicação por parte da administração a percentagem baixa para os 41%.
As 15 mil pessoas contactadas revelaram ainda outros factores de stress que podem pesar na decisão de abandonar uma empresa: a má educação dos colegas (28,3%), o excesso de trabalho (23,3%) e o descrédito na competência da equipa (21,7%). Também a falta de apoio administrativo (20%) e a falta de condições no local de trabalho (13,3%) são elementos que podem colocar por um fio a estadia num determinado emprego.
Deixar fugir os maiores talentos pode ser um mau presságio para o sucesso de uma empresa. Mas como convencê-los a ficar? Embora se possa pensar que a chave está no aumento salarial, como se constatou noutros países analisados, 51,7% dos profissionais portugueses analisados acreditam que só com alguns extras é que a coisa se compõe. Exemplos? Um seguro médico privado fornecido pela empresa. Apenas um terço (38,3%) pedia um aumento salarial de 3%.
«À medida que os profissionais arrumam os seus fatos de banho e as toalhas depois das férias, têm mais tendência para reflectir sobre os prós e os contras do emprego que está à sua espera no regresso a casa. Quando há relatórios que indicam que um dos efeitos da recuperação económica é o facto de muitos profissionais terem começado a deixar os seus empregos e a procurar outros, as empresas que não proporcionarem todos os extras podem estar a provocar uma fuga de cérebros e dos seus melhores talentos», afirmou o director geral da Regus para a região da Europa, Médio Oriente e África, Paulo Dias, em comunicado.
Em tempo de crise, novas oportunidades de trabalho podem ser uma luz ao fundo do túnel. «O stress provocado pelo excesso de trabalho agravou-se durante a última recessão, dado que as pessoas trabalham mais arduamente e durante mais tempo para poderem pagar a hipoteca». Mas com a crise chegaram também os cortes nos prémios e nas regalias profissionais. Só que «à medida que a economia melhora, os profissionais afluem para as empresas que lhes prometem melhores condições e não necessariamente os salários mais elevados».
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