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Consumidores falam mais ao telemóvel mas, ainda assim, a receita média por cliente das operadoras continua a cair.
Mais minutos ao telefone mas menos receitas. Tem sido este o padrão nos resultados trimestrais das operadoras móveis, que têm visto o ARPU (receita média por cliente) a cair todos os trimestres. TMN, Vodafone e Optimus perderam mais de um euro por cliente entre Abril e Junho, segundo os dados divulgados pelas empresas.
A maior quebra regista-se na Vodafone que, no segundo trimestre de 2009, tinha um ARPU de 18,1 euros e fechou o mesmo período de 2010 com uma receita média por cliente de 16,3 euros, menos 1,8 euros. Apesar de ter registado a maior redução, a operadora liderada por António Coimbra é a que regista o ARPU mais elevado. Segue-se a TMN, que perdeu 1,4 euros por cliente este trimestre: de Abril a Junho de 2009 o ARPU fixou-se nos 16 euros e, no mesmo período deste ano, desceu para 14,6 euros por cliente. Já na Optimus, o ARPU registou a menor redução, de 1,1 euros, passando de 14,9 euros para 13,8 euros no trimestre.
As operadoras apontam a redução das tarifas de interligação (o que um operador paga quando termina a chamada numa rede concorrente) como uma das razões para a quebra da receita média por cliente. A TMN aponta, no relatório de resultados trimestrais, que "o ARPU de interligação diminuiu 9,4% face ao mesmo período do ano anterior", valor que se expressou numa redução de receitas na ordem dos dois milhões de euros, para 36 milhões, "em parte decorrente do impacto negativo de um milhão de euros devido à diminuição das tarifas de terminação móvel". Na Optimus, as receitas de interligação por cliente caíram 18,1%, para 2,3 euros no trimestre.
Fonte oficial da Vodafone garantiu ao Diário Económico que, apesar de terem um impacto relevante na quebra das receitas, as tarifas de terminação não são as únicas responsáveis.
A operadora aponta a "existência de múltiplos cartões num mesmo cliente, em muitos casos dedicados a fins específicos, o que não implica uma redução do ARPU por cliente, mas sim por cartão SIM", e ainda "alguma contracção económica nas receitas geradas pelos clientes", devido à crise. Uma razão corroborada pela TMN: no seu relatório semestral, a operadora do grupo PT aponta que "as condições económicas adversas" e "o aumento de popularidade dos planos tarifários tribais direccionados para o segmento jovem" contribuíram para a redução. Já fonte oficial da Vodafone refere ainda que "o lançamento de campanhas promocionais e de novas opções tarifárias", como é o caso das comunicações a preço zero entre clientes com o mesmo tarifário, disponível em todos os operadores.
Cartões a custo zero:
Mais voz e dados
Perante estes tarifários tribais, todas as operadoras registaram um aumento nos minutos de utilização por cliente por mês (MOU). Na TMN, o MOU no trimestre cresceu 3,6% para 121 minutos; na Optimus o crescimento foi de 2,8% para 135 minutos por cliente. A Vodafone disponibiliza apenas o tráfego total, que passou de 2.202 milhões de minutos entre Abril e Junho de 2009 para 2.572 milhões de minutos no mesmo período de 2010.
O maior crescimento registou-se, contudo, no tráfego de dados, devido à banda larga móvel e crescente adesão à Internet no móvel, com a proliferação dos ‘smartphones' (ver texto ao lado). As receitas de dados não-SMS já representam mais de metade do total das receitas de dados da TMN. Estas, por sua vez, atingiram 25% do total das receitas de serviços. Já na Optimus, as receitas de dados representavam 30,2% das receitas de serviços no final do segundo trimestre deste ano, um aumento de 2,4 pontos percentuais, com as receitas não- SMS a pesarem já 75,6% do total das receitas de dados.
Fonte: Económico
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