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Preços das casas podem baixar nos próximos meses PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Sábado, 31 Julho 2010 19:29



Descubra as recomendações dos agentes de mercado e por que razão esta pode ser uma boa altura para comprar casa.noticias

O primeiro semestre do ano foi marcado por uma ligeira retoma do mercado residencial. Mas o agravamento dos impostos e a perspectiva de subida das taxas de juro, aliado ao já difícil acesso ao crédito, trocou as voltas ao sector e trouxe alguma incerteza face ao segundo semestre, em especial no que respeita às vendas.

"Os recentes cortes no ‘rating' da dívida portuguesa têm como consequência um aumento no preço do dinheiro, bem como a sua maior escassez. Estes efeitos passam directamente para a economia e para as famílias, que assim terão mais dificuldade em contrair dívida para aquisição de habitação", explicou Miguel Bacalhau, responsável do departamento de estudos da Aguirre Newman, ao Diário Económico. "Adicionalmente, o rendimento disponível nas famílias será menor no segundo semestre, fruto do aumento do IVA e do IRS, pelo que este cenário faz prever alguma redução no número de fogos vendidos", reforçou.

Contudo, ainda há quem encare esta situação com optimismo. De acordo com Miguel Poisson, director-geral da ERA Imobiliária, apesar da difícil conjuntura económica, quem precisa de comprar ou vender casa não vai recuar agora e, por isso, o mercado vai continuar a funcionar, e muito possivelmente, a preços mais moderados. "Existe uma grande pressão para baixar os preços. Cada vez mais as pessoas vão ter de se ajustar aos valores de mercado e é por isso que as avaliações bancárias estão cada vez mais próximas dos valores reais de venda", disse o director-geral da ERA. Uma opinião partilhada por Miguel Bacalhau, que admite "alguns ajustes em baixa nas casas usadas em algumas zonas de Lisboa e concelhos limítrofes".

É por isso que Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Ibéria, acredita que "esta é uma excelente ocasião para comprar". Porque "não há especulação dos preços dos imóveis" e também porque os "proprietários com urgência em vender estão disponíveis para baixar o valor do imóvel para concretizar o negócio", explica o responsável da Century 21. Miguel Poisson concorda com esta opinião, mas ressalva que só é boa altura para comprar para quem conseguir crédito. E para isso, é preciso ter, pelo menos 20% de capital próprio, repara Ricardo Sousa.

Situação mais dícil noutras áreas do imobiliário
A primeira habitação é considerada um bem essencial e é por isso que os agentes imobiliários acreditam que o mercado nunca baterá no fundo. Mas o mesmo não acontece nas outras áreas do imobiliário. De acordo com Fernando Ferreira, um dos responsáveis do departamento de investimento da Cushman & Wakefield, "a actividade, no segundo semestre, estará fortemente condicionada pela ‘performance' ou percepção da nossa economia nos próximos dois meses".

É por isso que "dificilmente atingiremos o mesmo volume de investimento em activos imobiliários alcançado no primeiro semestre e que rondou os 200 milhões de euros", disse Fernando Ferreira. No mercado dos escritórios, comércio e logística é também de esperar uma contracção na procura, "o que significa que grande parte da oferta potencial não fará sentido e muitos projectos terão de ser repensados ou, em alguns casos, abandonados".

O que dizem os agentes do mercado

"A Century 21 aumentou as vendas porque angariámos quota de mercado. Mas, em geral, há menos vendas. Há muitos imóveis que não são vendáveis e o crédito está mais difícil. E, no segundo semestre, vai piorar. Por isso é que, para períodos de três anos, recomendamos o arrendamento." Ricardo Sousa, Administrador da Century 21 Ibéria.

"Há muita gente a investir em imobiliário em vez de nos tradicionais depósitos a prazo. As pessoas compram as casas e depois arrendam, o que lhes dá mais retorno que na bolsa ou colocando o dinheiro no banco a render." Miguel Poisson, Director-geral da ERA Imobiliária.

É difícil ter uma leitura muito optimista do segundo semestre, numa altura em que a conjuntura económica é dominada pela incerteza e pela ditadura das agências de ‘rating'. Qualquer indicação em relação à fragilidade da nossa economia irá resfriar, ou até suspender, o interesse dos poucos investidores." Fernando Ferreira, Departamento de Investimento da Cushman & Wakefield.

"Acreditamos que no segundo semestre de 2010 os preços dos apartamentos novos se manterão estáveis, sendo de admitir alguns ajustes em baixa no mercado dos usados em algumas zonas de Lisboa e concelhos limítrofes." Miguel Bacalhau, Director do departamento de estudos da Aguirre Newman.

Fonte: Económico




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